Valor de seguro de veículos pode cair

O efeito cascata da Lei Seca continua, e, além de interferir para a redução dos números de mortes e de acidentes nas estradas, o próximo impacto deve ser no preço do seguro de automóvel. Para o Sindicato das Empresas Corretoras de Seguro no Espírito Santo (SINCOR-ES), a longo prazo, o valor pode cair até 10%.

Esse é um teto de redução estimado, considerando que se confirmem as reduções que têm sido registradas no número de acidentes, num prazo mínimo de 12 meses, explicou José Rômulo Silva, presidente do SINCOR-ES e membro da Federação Nacional dos Corretoras de Seguro (Fenacor).

Segundo Rômulo, mesmo que a redução nos índices de acidentes se mantenham em 20% e 30% - como vem acontecendo desde junho, quando a Lei Seca foi instituída -, o valor do seguro certamente não vai diminuir nessa proporção.

A explicação está na composição do preço do valor pago pelo seguro, que tem quatro variáveis: os tipos de sinistros (roubo, furto, acidentes) e de segurado, os custos comerciais e administrativos, os impostos e a margem de lucro.

A redução dos índices de acidentes impactaria, apenas, sobre o sinistro e, ainda assim, nos casos referentes a batidas e colisões. Para o diretor de Operações da Banestes Seguros, Fernando Rodrigues Azevedo, é prematuro estimar um percentual de redução nos preços.

De qualquer forma, se a redução vier a se confirmar, ela será menor no Espírito Santo que em outros Estados. Aqui, o trabalho de fiscalização e as campanhas como Madrugada Viva e Praia Viva já vinham trabalhando para a redução de acidentes referentes a motoristas embriagados. Portanto esse impacto na redução do prêmio será menor aqui.

As modalidades de seguro relativas às pessoas também devem ter reflexo da Lei Seca. Os casos de seguro de vida e de acidentes pessoais, esses, sim, podem receber uma ação direta e mais rápida dos efeitos da redução de acidentes, complementou Rômulo.

Empresas já pensam em mais contratos

A Lei Seca entrou em vigor no País a partir de 20 de junho e já reduziu o número de vítimas fatais nas estradas federais. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, em julho foram registradas 530 mortes, número 14,6% inferior a igual mês de 2007.

A possibilidade de redução no valor dos seguros é vista por algumas empresas como mais oportunidades de negócios. É o caso do banco paulistano GMAC. Poderemos diminuir o valor dos seguros, facilitando para quem já tem contrato e dando oportunidade para quem ainda não é segurado, observou Adalber Alencar. Segundo ele, o mercado de seguros espera a estabilização desses números para definir novos valores. Mas acredito que a redução deva ficar entre 5% e 10%, afirmou Adalber Alencar.

Outro lado – A Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) não está tão otimista. Seu presidente, Jayme Garfinkel, fixou um prazo de três meses para que o mercado possa reavaliar os preços dos seguros de automóveis após a implantação da Lei Seca.

Segundo a Fenseg, as indenizações pagas por colisões representaram 54%, ou R$ 2,5 bilhões, dos desembolsos totais em 2007. Ocorrências como roubo e furto são a segunda causa de indenizações de carros de passeio no Brasil. Elas responderam por 42% das verbas de seguros em 2007.

Sabe-se que o número de vítimas de acidentes caiu, mas o mercado de seguros ainda precisará de mais algumas semanas para identificar a tendência da sinistralidade. Mas é óbvio que, se caírem as vítimas de acidentes de trânsito e baixarem os sinistros por colisões, tudo vai diminuir e impactar positivamente no preço, diz Garfinkel. Mas ele não aceita as projeções iniciais de queda de, no mínimo, 10%.

A Porto Seguro também considera prematura qualquer expectativa de queda de preços nos seguros. O diretor do produto auto, Marcelo Sebastião, ressaltou que é preciso que se aguarde um pouco mais para analisar os impactos da Lei Seca, pelo menos por, no mínimo, seis meses. A lei tem que ser perene e realmente permanecer com a aplicação total de suas regras, diz.

Sebastião lembrou que dos 40 milhões de carros que circulam pelo País, apenas entre 9 milhões e 11 milhões são segurados. E afirmou que o mercado não delibera apenas em função dos resultados da Lei Seca. Para ele, deve-se levar em conta que os preços das peças adquiridas para reparar automóveis sofrem, muitas vezes, correções acima da inflação oficial.

Os bancos também foram cautelosos e preferiram não se pronunciar a respeito de uma eventual queda de custo. A assessoria de imprensa do Bradesco Seguros e Previdência S/A informa que os efeitos da Lei Seca só serão conhecidos dentro de algum tempo. O que a entidade afirma é que se persistir o rigor na fiscalização, é natural que ela se reflita no valor das apólices.

Fonte: Gazeta Mercantil

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