Produtor vê o seguro como um custo extra

Dona de uma extensão territorial visivelmente menor, a Argentina registrou, no mesmo período, US$ 2,7 bilhões de capital segurado, prêmio pago de US$ 111 milhões e sinistro na ordem de US$ 55 milhões. A Espanha, por sua vez, totalizou US$ 11,1 bilhões de capital segurado, prêmio de US$ 637,8 milhões e indenização paga de US$ 704,9 milhões. Essa disparidade de números só prova que o Brasil está engatinhando e que o seguro rural precisa mudar. A boa notícia é que o setor e o governo já arregaçaram as mangas e se encontram em estágio de discussões e definições para mudanças significativas no seguro rural.

Como tem pouca gente fazendo seguro rural, ele é um produto caro. Com isso, cria-se um inevitável círculo vicioso - o seguro é pouco procurado por ser caro e por ser caro atrai poucos clientes. Daí a decisão do governo de criar uma subvenção federal com a proposta de ajudar os pequenos e médios produtores. Dependendo da cultura, o produtor tem até 60% de desconto sobre o valor do seguro. É bom lembrar que existe um limite. No caso soja, o valor estabelecido é de até R$ 32 mil.

O primeiro passo já foi dado. O ano de 2006 marcou o início da expansão do seguro rural no Brasil. Neste ano, o governo assegurou R$ 60,9 milhões para pagamento de subvenção. Em 2005, os gastos do governo com seguro agrícola foram de apenas R$ 2,3 milhões, devido ao atraso na liberação dos recursos, na aprovação dos produtos apresentados pelas seguradoras à Superintendência de Seguros Privados (Susep) e na negociação de resseguros das empresas com o IRB - Brasil Resseguros. Em 2007, o mercado fala em R$ 100 milhões.

Além da visível ampliação dos recursos, o setor foi beneficiado com outras medidas como o aumento do número de culturas beneficiadas, a inclusão de novas modalidades de seguro, a elevação dos percentuais subvencionados e a ampliação do limite máximo do prêmio. Os valores máximos de subvenção ao prêmio por produtor subiram de R$ 7 mil (culturas periódicas) e R$ 12 mil (culturas perenes), em 2005, para R$ 32 mil para todas as modalidades de seguro.

Luiz Carlos Meleiro, superintendente de agronegócios da AGF Seguros, aposta nas outras estratégias do governo para estimular o crescimento do setor. Isso inclui a abertura do mercado de resseguros no país, cujo projeto encontra-se em estágio avançado e em caráter de urgência, e a criação do fundo de catástrofe para o setor agrícola. O fundo vai eliminar uma série de obstáculos que hoje impedem o desenvolvimento desse tipo de operação no Brasil e trará mais seguradoras e segurados para o seguro rural, prevê Meleiro. Todas essas mudanças estão embasadas na reestruturação do atual modelo de seguro rural que, segundo especialistas, é considerado inadequado e ineficiente. Um decreto lei deve ser criado em 2007 em torno do assunto.

Fonte: Seguros em Dia

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