Roubos caem no ABC e pressionam os seguros
A redução nos índices de roubos e furtos no Grande ABC neste ano deve aliviar o custo dos seguros de automóveis na região, em especial em Santo André e São Bernardo. É o que afirma o gerente de produtos da Porto Seguro, Marcelo Damião. Segundo ele, a empresa vai repassar aos preços das apólices a queda de 5% das perdas na carteira de segurados da região.
A Porto Seguro calcula mensalmente as oscilações de criminalidade registradas em uma determinada região e repassa para os preços dos seguros automaticamente, explica Damião. Isso já acontece no Grande ABC. A sensível queda nos casos de roubos e furtos barateia a cada mês o custo médio da região, completa o gerente.
O corte de 5% nos preços das apólices previsto pela Porto Seguro é o mesmo percentual de queda de ocorrências apontado pela Polícia Militar. De acordo com o coronel Renato Aldarvis, responsável pelo comando nas sete cidades, desde o início deste ano a região registra redução de 5% a 6% em roubos e furtos de veículos em comparação aos mesmos meses de 2005.
Estamos compilando os dados por município. Devemos divulgar nos próximos dias. Mas já é possível concluir que a região está mais segura na questão de roubos de veículos. Na média, a queda chega a 6%, afirma o coronel.
Os números de redução nos preços dos seguros, no entanto, não convencem o presidente do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança de Santo André), Fábio Gerevini. Ele concorda que houve considerável recuo dos casos de roubo de carros, mas acusa as seguradoras de promover reajuste nos preços das apólices, em vez de corte.
Muitos veículos tiveram os seguros reajustados em 100%. Até agora, os números divulgados pela polícia, que indicam que as sete cidades estão mais seguras, não representaram valores mais baixos. Quando crescem os casos de roubo e furto, os preços disparam. Quando há queda nas taxas de criminalidade, as seguradoras não repassam o benefício para o consumidor, acusa Gerevini.
Segundo o diretor de Automóveis da Sulamérica Seguros, Anderson Mello, muitas vezes os seguros resistem em ficar mais baratos em regiões que registraram redução nos índices de roubos e furtos porque as companhias aguardam para saber se o resultado é sazonal ou se tornou-se uma tendência.
Não é prática das seguradoras repassar variações pontuais aos clientes, nem para baixo nem para cima. É preciso constatar uma queda concreta, explica Mello. Além disso, na hora de compor o valor da apólice, a seguradora costuma prever os próximos 12 meses do veículo, que será o tempo de vigência do contrato, complementa.
Segundo Fábio Gerevini, de Santo André, os vilões são o Volkswagen Fox, o Fiat Uno e o Ford Fiesta. Estes modelos tinham seguros acessíveis até pouco tempo. O interesse dos ladrões em motores bicombustíveis, para alimentar o mercado de reposição de peças, fez com que os preços disparassem, afirma.
Gerevini explica que o aumento dos casos de roubo e furto entre esses modelos de veículos se justifica nos preços dos componentes. Os carros flex são equipados com um chip que reconhece que tipo de combustível está no tanque. A peça é responsável por ajustar o motor a diferentes tipos de combustão. Nas concessionárias, o equipamento custa entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, o que torna a peça atrativa no mercado paralelo, que abastece lojas de autopeças e desmanches.
Entre os carros populares que mantêm preços de apólices de seguro mais acessíveis estão o Ford Ka, o GM Celta e o Renault Clio. A linha Gol apresentou queda de preço, mas ainda desponta entre os mais caros da categoria, já que o índice de roubo e furto mantém-se elevado, conclui.
Fonte: Seguros em Dia
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