Título de Capitalização
Quando se fala em atividade seguradora, está se falando em quatro setores distintos que compõem um todo homogêneo, operado pelas companhias de seguros instaladas no Brasil. São eles: a atividade seguradora propriamente dita, os seguros saúde, os planos de previdência privada aberta e os planos de capitalização. Os três primeiros estão diariamente na mídia. Apesar das críticas, vão-se tornando instrumentos de proteção e desenvolvimento social, indispensáveis para o equilíbrio das relações individuais, familiares e empresariais, sem as quais uma nação não se desenvolve.
Não cabe aqui enumerar as áreas de atuação direta e indireta onde as três atividades exercem papel de destaque, tanto na viabilização como na proteção de relações socioeconômicas essenciais para o crescimento brasileiro. Nem dimensionar o quanto das reservas internas são gerenciadas pelas seguradoras. O enfoque é mostrar a importância do quarto componente, a capitalização. Invariavelmente difamada, a capitalização paga o preço do desconhecimento de seus mecanismos por enorme parte das pessoas.
Tida apenas como jogo, é vista como loteria privada, onde as chances do cidadão ganhar são maiores que em loterias oficiais. E com mais um ponto a favor: se o cidadão não ganha, depois de um tempo recebe parte do dinheiro de volta, como se fosse presente da empresa, o que não está nem perto da verdade, mas dá ao brasileiro, habituado a querer levar vantagem, sensação de que é o mais esperto.
Num país onde ser esperto vai se tornando esporte político, haja visto os desmandos que abalam dia-a-dia a credibilidade do Congresso Nacional, é evidente que um produto com esta imagem se transforme em arapuca à disposição de gente mal intencionada, que se vale de argumentos indecentes para vender planos de capitalização como se fossem a panacéia do mundo, ou a certeza da casa própria, do carro zero etc.
Ocorre que os planos de capitalização não são isto. São planos de poupança em que parte do dinheiro reverte para uma loteria e outra é aplicada com taxa de remuneração predeterminada, por período fixo, ao fim do qual o investidor saca a parte investida, capitalizada com a remuneração previamente acordada.
O drama deste produto é que nem sempre sua venda é feita com a clareza e as informações necessárias para que o investidor, notadamente o de baixa renda, entenda os mecanismos envolvidos e que, se uma parte do investimento possibilita a existência do sorteio, não tem como a devolução do dinheiro ser feita integralmente, com base no valor investido e juros.
Uma parte vai para custear os sorteios, outra para capitalizar. Cada uma tem seu destino específico e estes não se misturam para não descaracterizar o produto, que tem como grande apelo justamente a possibilidade de se ganhar o sorteio, levando uma bolada muito antes e muito maior do que o dinheiro capitalizado, que será devolvido ao fim do prazo do plano.
Num país onde o jogo é oficialmente proibido, mas o governo administra não sei quantas loterias e os bingos correm soltos, um produto com as características dos planos de capitalização, onde uma loteria força uma poupança programada, tem tudo para se transformar numa ferramenta importante para garantir a capacidade de investimento imediato, ou reforçar o caixa futuro de milhares de famílias que atualmente contam, quando muito, com um salário mínimo a título de aposentadoria.
Caixa que já é reforçado pelas famílias de classe média que contratam estes produtos regularmente, tanto pela loteria, como pela poupança programada.
Fonte: Estado de SP